O Balé da Cidade de São Paulo estreia sua primeira temporada do ano com Réquiem SP na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. Com criação, direção e coreografia de Alejandro Ahmed, o espetáculo conta com a participação do Coral Paulistano e da Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência e direção musical de Maíra Ferreira. As apresentações acontecem nos dias 14, 15, 18, 19, 21 e 22 de março.
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O espetáculo propõe um diálogo entre diferentes vertentes da dança, como balé, jumpstyle e danças urbanas e populares. O movimento do elenco extrapola a técnica e se torna um meio de investigação sobre as interações do corpo com o ambiente. Para o diretor Alejandro Ahmed, a montagem também busca explorar um ecossistema multimídia, combinando diferentes plataformas artísticas.
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“O Réquiem SP não se limita à partitura de György Ligeti. Ele se desdobra em três movimentos musicais: um interlúdio de autogestão coreográfica e sonora, o réquiem em quatro movimentos e, no final, duas faixas do produtor canadense Venetian Snares“, explica Ahmed. O uso do breakcore, gênero de batidas rápidas e espaçadas, contrasta com a complexidade da obra de Ligeti, mas estabelece um diálogo sonoro singular.
Ahmed atua como diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo desde julho de 2024. Considerado um dos mais inovadores coreógrafos do país, ele investiga as relações entre corpo, ambiente e tecnologia, explorando os limites da expressão corporal.
O Réquiem de Ligeti
Composta entre 1963 e 1965, a obra Réquiem, de György Ligeti, é considerada um marco da música coral contemporânea. Ela ficou famosa ao integrar a trilha sonora do clássico do cinema 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.
A peça é dividida em quatro movimentos: Introitus, Kyrie, Dies Irae e Lacrimosa. O próprio Ligeti dedicou nove meses exclusivamente à composição do Kyrie, parte que utiliza vinte linhas vocais em uma das polifonias mais complexas de sua carreira. Mesmo assim, o musicólogo Harald Kaufmann destaca que a obra se mantém conectada à tradição da polifonia vocal clássica.
Para Maíra Ferreira, regente titular e diretora musical do projeto, a execução do Réquiem exige alto grau de sofisticação técnica. “Ligeti explora os extremos, indo das notas mais agudas às mais graves rapidamente. O cantor precisa ter um preparo excepcional para lidar com essa demanda. Das obras que trabalhei em quase dez anos no Theatro Municipal, essa é, sem dúvida, a mais desafiadora”, afirma.
Réquiem SP
Onde: Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo
Quando: 14 de março, sexta-feira, 20h; 15 de março, sábado, 17h; 18 de março, terça-feira, 20h; 19 de março, quarta-feira, 20h; 21 de março, sexta-feira, 20h; 22 de março, sábado, 17h
Quanto: Ingressos de R$10 a R$92 (inteira).