Curitiba sempre se orgulhou de ser o polo da tranquilidade durante o feriado de carnaval. Não à toa, turistas de todo o Brasil escolhem a cidade para o descanso, um certo momento familiar em meio ao verde dos parques e ruas vazias. Pelo menos até então.
Desde 1999 o bloco Garibaldis & Sacisvem trazendo à rua os ritmos clássicos da festa, que inclui principalmente as marchinhas e o samba. Uma história que começou com o agitador cultural Itaércio Rocha e que ganhou notoriedade e adeptos ano após ano, seja na bateria, que hoje comporta dezenas de batuqueiros, ou na rua, com centenas de foliões.
O Garibaldis, batizado assim devido ao percurso que ia do bar do Saci até a praça Garibaldi cresceu e não coube mais no Largo da Ordem. Por muitos anos, o icônico centro histórico de Curitiba lotado de bares foi o palco do pré-carnaval da cidade, inaugurado magicamente pelo bloco. Agigantou-se e se expandiu até a Avenida Marechal Deodoro, palco tradicional dos desfiles das escolas de samba da capital. Uma história de 26 anos com uma espécie de resistência, quase que dizendo: vamos ter carnaval sim! Mesmo que seja antes do feriado nacional.
O bloco Garibaldis & Sacis fez história e influenciou batuqueiros da nova geração a criar novos grupos. Só em 2025, mais de 30 blocos desfilaram pelas ruas do centro e também na periferia da cidade em cerca de 50 saídas. São blocos como Caiu no Cavalo Babão, Segura o CUritiba, Saí do Armário e Me Dei Bem, Afro Pretinhosidade, Brasilidades, Ela Pode Ela Vai, Bloco de Pífanos, Aroeira, Baque Mulher entre muitos outros.
“Nos últimos anos foi muito bonito ver a forma que o pré-carnaval se desenvolveu cada vez mais, muito porque exige uma estrutura física e também desprendimento de tempo e dedicação para fazer o negócio girar. Esse ano foi muito legal ver blocos maiores como o Garibaldis, em contato com outros blocos para ajudar na dinâmica da rua, emprestando instrumento e som, por exemplo.” Conta Victoria Vidal, apito da Bloca Ela Pode Ela Vai.
Ela ainda complementa: “Quanto mais os blocos foram crescendo nos últimos anos, mais as pessoas perceberam a importância da organização coletiva e isso traz um senso de comunidade para quem participa e para quem tá curtindo.”
Bloca Ela Pode Ela Vai é composta apenas por mulheres. Foto: Jacqueline Prado/Fotofolia
Curitiba é hoje banhada pelos ritmos do samba e dos sons baianos. Os blocos se encontram, tocam juntos e seus integrantes “se emprestam” para outros grupos. O Pré-carnaval da cidade já é uma das épocas mais esperadas pelos festeiros da cidade e quem sabe, apenas o pontapé inicial para uma festa que adentre o feriado.
Fringe é uma plataforma de comunicação e entretenimento sobre arte e cultura brasileiras criada dentro do Festival de Curitiba e conta com o patrocínio da Petrobras