Baseado nas múltiplas pegadas literárias deixadas por Paulo Leminski (1944-1989), o espetáculo Cabaré Haikai é a primeira grande atração da Mostra Lucia Camargo da 33ª edição do Festival de Curitiba, com duas sessões nos dias 25 e 26 de março, às 18h30, e uma sessão extra, às 21h, sempre no Teatro José Maria dos Santos. As três sessões estão com os ingressos esgotados.
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O escritor curitibano, que viveu apenas 44 anos, foi criador multifacetado: um livre pensador que misturou o pop com o erudito, uniu as vanguardas brasileiras à filosofia oriental, estudou os clássicos, mas chegou a colocar o pé nas artes digitais. E deixou uma assinatura única na poesia, na literatura, na música e até nas artes visuais brasileiras de seu tempo.
O Papel da Arte
Sua investigação crítica sobre o papel da arte na sociedade é o ponto de partida da dramaturgia criada a seis mãos pelo diretor Rodrigo Fornos, pela escritora e compositora Estrela Leminski, filha de Paulo, e por Eduardo Ramos.
Segundo o diretor, o resultado da peça é uma construção coletiva com os atores Ane Adade, Michele Bittencourt, Renata Bruel e Kauê Persona, que buscam trazer ao palco as muitas vozes e faces de Leminski. “Leminski constantemente desafiou a separação entre a alta cultura e a cultura popular. Ele acreditava que a arte deveria ser acessível e refletir a vida cotidiana das pessoas, rompendo com a elitização”, reflete o diretor.
Partindo de textos diversos de Leminski, como Ensaios e Anseios Crípticos, Gozo Fabuloso, seu famoso romance Catatau e sua obra poética reunida em Toda Poesia, a peça não deixa de lado sua atuação como compositor de música popular.
“Meu pai compôs muito. Suas músicas foram gravadas por artistas como Caetano Veloso e Ney Matogrosso, entre tantos outros. No entanto, como ele não interpretava suas próprias composições, as pessoas atribuem suas canções aos parceiros. Mas a linguagem, as palavras e as ideias melódicas são ele em estado puro”, afirma Estrela Leminski.
Urgência Poética
O espetáculo, que estreou em uma temporada de sucesso em agosto de 2024, no período de comemorações dos 80 anos de Leminski, chega robustecido e atraindo atenções da cena teatral nacional à Mostra Lucia Camargo.
“Leminski foi um arauto da minha geração. Uma das figuras mais geniais que o país teve em todos os tempos. Um cara louco, difícil, brilhante, metódico. Toda a vida do Leminski tinha um sentido de urgência poética, e a peça tenta capturar isso no palco”, conclui Fornos.