Chegou o esperado dia do cachorro-louco.
Neste sábado (30), a Pedreira Paulo Leminski recebe a segunda edição do Festival Paulo Leminski, em homenagem ao poeta curitibano morto em 1989 e que completaria 81 anos neste mês de agosto. Entre os destaques da programação (leia abaixo), há a apresentação de Jards Macalé, marcada para começar às 20h40.
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O músico, cantor, ator e compositor de 82 anos promete um repertório que reúne os álbuns mais recentes, Besta Fera e Coração Bifurcado, além dos muitos clássicos da carreira. “Será uma síntese dos dois últimos trabalhos, outras canções e meu repertório, acompanhado pela minha banda feminina”, adianta.
Em entrevista ao Fringe, Macalé conta que sua relação com Leminski nasceu da poesia. “Quando vim pela primeira vez a Curitiba pelo Projeto Pixinguinha fiquei hospedado na casa dele, de madeira, por três ou quatro dias. Fazia um frio danado e um ventinho passava pelas frestas. Até compusemos umas três músicas gravadas num K7 que se perdeu”, recorda.
Quase da mesma idade, Macalé e Leminski são contemporâneos da fulgurante cena poética dos anos 1970, que tinha de um lado marginais do Rio de Janeiro, concretistas de São Paulo e artistas malucos de todos os gêneros do país todo.
Para Macalé, a poesia sempre foi o único caminho: “[A poesia] pode salvar-nos da mediocridade, da inutilidade, da pobreza das linguagens. Pode ser uma espécie de salvação.”
Nos últimos dez anos, Macalé produziu e gravou discos premiados e elogiadíssimos, participou de projetos interessantes, fez parcerias com artistas de gerações diferentes e conquistou um público novo. “Continuar criando é a minha saída; no caso, a minha estrada na vida”, afirma.