O escritor Luis Fernando Verissimo faleceu neste sábado (30), em Porto Alegre, aos 88 anos. Ele estava internado no Hospital Moinhos de Vento, em estado grave e sob cuidados intensivos desde o dia 11 de agosto devido a complicações respiratórias. Deixa a esposa, Lúcia Verissimo, com quem era casado desde 1963, três filhos — Fernanda, Mariana e Pedro — e dois netos.

Verissimo foi cartunista, tradutor, roteirista de televisão, autor de teatro, romancista e saxofonista. Na semana passada quando soube que ele tinha sido internado na UTI  fui à estante reler os seus livros e percebi que ainda sabia alguns de seus textos de cor.

“O dia em que pegarem um Popular para desvendarem um mistério, será inútil. Vão se enganar outra vez. O Popular verdadeiro estará atrás do preso, assistindo a tudo”.

Lembrava do desfecho de O Popular, uma das grandes crônicas escritas no país, faixa 1 de seu álbum de estreia em 1973 – que estreia, senhoras e senhores. Alguns dos aforismos por ele criados me acompanham há muitos anos e me ajudam a resolver grandes questões da vida:

  • “Viva todos os dias como se fosse o último. Um dia você acerta.”

Verissimo foi o paradigma do escritor de sucesso durante meu tempo de vida de leitor apaixonado. Antes de virar profissional, momento emq ue alguns encantos inevitavelmente se quebram. O que você quer ser quando crescer? Essa era fácil: Luís Fernando Verissimo.

Significava estar na lista dos mais vendidos durante décadas, ter livros adaptados para a TV e cinema, escrever sobre música e de futebol a pedido das publicações mais legais do país – as coberturas das Copas do Mundo são especialmente clássicas –, desenhar cartuns diários brilhantes nos jornais, criar personagens inesquecíveis e crônicas antológicas.

Tudo isso sendo um sujeito elegante e reservado, ainda que socialmente desajeitado, sem nunca deixar de ser engraçado e brilhante. A literatura de LFV sempre foi pop, mas ele mesmo foi cool como um bom solo de sax.

Já não escrevia há algum tempo e nem precisava. Profícuo, escreveu pra burro, há um continente de sua obra pronta para iniciar algumas gerações de novos leitores, assim como aconteceu com a minha.

Cresceu nos EUA da era das estrelas de Hollywood, do jazz e dos grandes autores policiais, e foi o grande cronista brasileiro dos anos 70 até a primeira década do século 21. Neste tempo, ele foi um dos inventores do país que se transformava em outra coisa.

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Sandro Moser é jornalista e escritor.

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