Degenerado Tibira é o nome da exposição que estreia nesta segunda-feira (17) na Embaixada do Brasil, em Berlim, e apresenta um panorama da arte queer brasileira sob a ótica de 19 artistas LGBTI+ de sete estados do Norte e do Nordeste do Brasil.

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Com curadoria de Eduardo Bruno e Waldírio, esta é a primeira exposição abertamente LGBTI+ realizada nos espaços culturais de uma embaixada brasileira no exterior e fica em cartaz até o dia 14 de março.

O nome da mostra remete a Tibira do Maranhão, considerado a primeira vítima de LGBTfobia documentada no Brasil, um caso que aconteceu ainda no período colonial.

O artista cearense Wandeallyson Landim é um dos que compoe a escalação da mostra. Foto: Secult/Ce

Nos registros feitos pela Igreja Católica, durante as expedições da época, pelos idos de 1614, consta o assassinato de um indígena Tupinambá acusado de ‘sodomia’. Antes de ser brutalmente executado por meio da explosão de um canhão em praça pública, Tibira do Maranhão foi batizado pela Igreja sob o pretexto de salvar sua alma.

“Nesta exposição, Tibira é resgatado como uma figura histórica que simboliza as múltiplas experiências queer brasileiras”, explica Eduardo Bruno, um dos curadores da mostra. “Sua vida evoca a resistência da comunidade queer que, em suas diferenças, desafia as estruturas hegemônicas e propõe outros modos de ser, estar e se relacionar no mundo.”

Artistas participantes

Entre os artistas que compõem a mostra estão Céu Vasconcelos, Marilia Oliveira, Wandeallyson Landim, Indja, Filipe Alves e Sheryda Lopes. Entre os artistas indígenas com trabalhos na exposição, destaque para Ziel Karapotó (AL), que participou da 60ª Bienal de Veneza, e Yakunã Tuxá (BA), ganhadora da última edição do Prêmio Pipa.

Obra do artista indígena Ziel que está presenta na mostra em Berlim. Foto: Divulgação

Para Maria Kallás, chefe do setor cultural da Embaixada do Brasil em Berlim, a relevância da exposição Degenerado Tibira na capital alemã se dá “primeiro porque é uma cidade onde a temática ‘queer’ encontra muita ressonância e receptividade.

Ela ainda destaca que o recorte geográfico da mostra  permite colocar em evidência regiões do Brasil que, historicamente, receberam menos divulgação no exterior. “Nos tempos que estamos vivendo internacionalmente nos exigem reafirmar a força da diversidade e o compromisso do Estado brasileiro com a defesa dos direitos humanos de todas as pessoas”, disse.

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