Por Gadiel Oliveira e Sandoval Matheus

Às vésperas de completar 150 anos, a obra “A Gaivota”, do russo Anton Tchekhov, serve de inspiração pra quatro peças que estão em cartaz na Mostra Lucia Camargo, do Festival de Curitiba. Uma delas, a argentina “Gaviota”, do diretor Guilllermo Cacace, aposta numa montagem sem figurinos e com cenário despojado, com todos os personagens sentados ao redor de uma única mesa, praticamente eliminando o limite entre o espaço da ficção e do público.

Fotos: Humberto Araújo

O formato da encenação foi encontrado por acaso – e também por força dos problemas logísticos causados pela epidemia global de covid-19.

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À época do isolamento compulsório, os primeiros ensaios da obra aconteceram via chamadas de vídeo. Quando as medidas de segurança começaram a ser flexibilizadas, e os encontros puderam ser presenciais, alguns amigos do elenco foram convidados a acompanhar o processo. Nesse momento, o diretor percebeu que havia encontrado uma nova maneira de apresentar a peça.

“Acredito que essa configuração aconteceu graças à capacidade de desistir, de jogar fora seis meses de ensaio. Tivemos que nos render às evidências do que estava acontecendo naquela mesa por acidente”, declarou Guillermo Cacace, na segunda-feira, 31, durante entrevista coletiva na Sala de Imprensa Ney Latorraca, no Hotel Mabu.

“Gosto sempre de dizer que, depois de mais de seis meses, não tínhamos feito um trabalho para o público. Foi um trabalho criado para amigos. Eles não pagavam entrada, só levavam algo para comer e beber. Até que um dia dissemos às pessoas: ‘Ei, somos muito poucos, convidem mais gente.’”

Na produção, todo o elenco é formado apenas por mulheres, com a participação das atrizes Raquel Ameri, Marcela Guerty, Clarisa Korovsky, Romina Padoan e Muriel Sago. A ideia de fazer um espetáculo exclusivamente feminino surgiu da vontade de Guillermo de criar sua própria versão de “A Gaivota” e, ao mesmo tempo, trabalhar com essas intérpretes em específico.

Fotos: Humberto Araújo

“São cinco atrizes e, por outro lado, na peça original há mais personagens, tanto masculinos quanto femininos. Mas eu disse para mim mesmo: posso juntar essas duas coisas. Não me importo com o sexo ou a quantidade de personagens. Tenho o desejo de fazer esse espetáculo e trabalhar com essas atrizes”, afirmou o diretor.

Em 2025, pela primeira vez, o Festival de Curitiba alcançou o tão almejado marco de nacionalização, reunindo espetáculos de todas as cinco regiões brasileiras, além de quatro peças de outros países de América Latina. Para Romina Padoan, o intercâmbio é enriquecedor.

Fotos: Humberto Araújo

“Como latino-americanos, todos pertencemos à grande pátria. Embora existam algumas diferenças culturais, que para mim são superficiais, no fundo falamos a mesma língua e nos expressamos de formas muito semelhantes”, declarou.

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